Máscaras




Quando eu era criança os meus heróis usavam máscaras. Eles ficavam mais intrigantes com aquela peça, geralmente, negra. Mas os seus inimigos, também usavam um artefato parecido. A máscara está em muitas paisagens de minha vida. Na minha apressada infância morria de medo de certos mascarados no carnaval - ficava aflito - sabia que aqueles homens que escondiam os seus rostos não eram os meus heróis e, se não eram os mocinhos, poderiam ser, então, os temíveis bandidos da minha fértil imaginação.

Fui crescendo e algumas máscaras caíram. Mas várias outras surgiram e muitas rodeiam-me até hoje. Já sabia que não existiam heróis de verdade, mas que os mascarados-bandidos eram em muitos e reais.
Com o tempo fui descobrindo vários tipos de máscaras. Elas podiam está bem próximas da gente, disfarçando-se em amigo, em patrão. Algumas máscaras são tão sofisticadas que podem ser interpretadas com uma sigla qualquer: Dr., Sr., Ilmo... O disfarce é tão perfeito que chamamos alguns mascarados-bandidos de Vossa excelência, excelentíssimo. São excelentes...

Fui percebendo que, para muitos era inevitável, era utensílio. Sem ela não viveriam, não alcançariam seus objetivos.

Portanto, como já disse, somente os bandidos mascarados são reais. Não temos, na verdade, um morcego no céu, um homem voador; nem avistamos no alto dos prédios um homenzinho pendurado em fios. Lamentavelmente, não temos heróis, que possam combater esses bandidos sofisticados – pelo menos por enquanto.

Pois bem, cresci, conheci várias outras máscaras. Confesso que em algumas situações necessitei usá-las – por uma questão de sobrevivência.

O que está me irritando, ultimamente, é a máscara de palhaço que colaram em minha cara. _ Pô! E nem é Carnaval.

Paulo Francisco

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