O gato




Tenho uma amiga de décadas, somos quase irmãos. Ontem, resolvi ir até sua casa. Queria conversar, jogar conversa fora, mas queria também levar alguns textos para ela dá uma olhada.

Chegando lá, encontrei-a em seu quarto conversando ao telefone com uma amiga (que não conheço) de Vila Velha. Voltei para a sala. Sentado num velho puff marrom, ao lado do som, coloco um cd que fizera para ela e fico me deliciando, com a voz da cantora.

Depois, abrimos uma garrafa de vinho e os nossos corações, falando dos anseios de cada um. Mais tarde, ela leu uns dois textos meus e finalizamos aquela noite com ela lendo alguns contos de uma autora que me apresentara há duas semanas pelo telefone. Fiquei apaixonado pelo que ouvira e, ontem não foi diferente, ao ler vários contos da autora, um me chamou atenção. Terminada a leitura parecia-me que tinha levado uma porrada na boca do estômago, o nome do conto era o gato luz.

Fui para casa e não conseguia deixar de pensar no que ouvira e percebi que não sabia nada sobre os gatos.
Ora! Se não sabia nada sobre esses felinos, por que então, dizia que não gostava deles. O que eles fizeram para eu me distanciar deles? Ou o que eu fizera a esses bichanos para que não permitissem a minha aproximação?

Refletindo sobre isso, cheguei à conclusão da minha intolerância com relação aos gatos - Somos parecidos em muitos aspectos: a individualidade; presentear somente a quem se ama; ficar à espreita, à espera de sua caça; não ter medo de mostrar seus sentimentos quando não gosta de uma situação; abandonar seu lar sem deixar recado e voltar dias depois como se nada tivesse acontecido; não tá nem aí quando se faz amor e, principalmente, nunca marcar território em círculo. O que mais me chamou atenção foi dos gatos marcarem seus territórios numa linha reta, sempre seguindo em frente e, ai daquele que cruzar o seu caminho! Então, possivelmente, eu não tenho ou não quero ter nenhuma afinidade com esse animal, por está sempre marcando o meu território em linha reta também e, ai de mim, ser derrotado por um bichano.

Paulo Francisco

Um comentário:

Moisés Augusto Gonçalves disse...

Saudades, meu caro!
Grande abraço!