A desenhista




Sempre gostou de desenhar. Ela desenhou uma nuvem e ganhou um doce; desenhou uma noite enluarada e ganhou um cão. Mais tarde, desenhou uma casa e ganhou uma boneca. Já mocinha, desenhou um coração e ganhou um amor, Suspirosa, desenhou uma aliança e ganhou uma família.
Subitamente, parou de desenhar - ficou com medo de desenhar o próprio caixão. Vai comemorar, no próximo mês, seus oitenta anos.
Fez bem em parar de desenhar.
Sabe-se lá!


Paulo Francisco

Um comentário:

Ivone disse...

Ai, é mesmo de nos assustar, mas é bom encarar, tanto a vida quanto a morte faz parte, faz parte da Vida ou da Morte?!
Ai, abraços meu amigo poeta!