Eterno luto


Ela era pesada. O negro era sua segunda pele. Raramente sorria. Nunca conseguia fazer um elogio espontâneo. No trabalho, o seu cargo de chefia criou a ilusão de que era deusa. Nos finais de semanam trancava-se dentro do apartamento. Adorava assistir a filmes classe B de suspense - maneira torta de se divertir.
Envelheceu, sem um amigo, no máximo conhecidos. Nunca deixou de trabalhar – já fazia parte do mobiliário da empresa.
Semana passada, faleceu. Os poucos colegas do trabalho e, alguns parentes, compareceram ao velório.
O surpreendente foi que todos estavam com roupas floridas ou com um colorido extravagante – maneira silenciosa de festejar a sua partida.

Paulo Francisco

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