O Fim




Eu te amei. Este é o tempo do verbo. Quando esta frase foi dita, senti o meu corpo tremer, retive as lágrimas, apertei as mãos em meus joelhos, balancei meu corpo num vai e vem frenético e invisível. Não acreditei. Eu te amei. Esta frase é a certeza de tudo. Não há ódio, resquício de um amor pendente. Não há frustrações. Simplesmente não há mais amor. Ele se foi. Acabou. O som daquela frase registrou que um dia existiu amor, mas que toda dedicação foi em vão, não foi o suficiente. Não foi dito: Eu não te amo mais; não quero mais amar você. Foi dito, em alto e bom som: eu te amei. Esta frase soa como derrota, como se alguém naquela sala, tivesse perdido a chance de amar e ser amado. Que aquele sentimento acontecera em mão única – e aconteceu. Dizer que amou é declarar que você está livre, que está limpo de um sentimento para com o outro. E, que pode seguir seu caminho em busca de outro amor. Quando esta frase foi dita, os cristais se quebraram; as luzes se apagaram e, os olhos, de quem as ouviu, embaçaram. Os olhos, de quem falou, embaçaram. Levantei e dirigi-me para a porta e, antes de abri-la, tornei a repetir: Eu te amei...



 Paulo Francisco

Um comentário:

Anônimo disse...


"Estava desempenhado, de alma e corpo ocupados:
tecia os delicados fios com que se fabrica a quietude.
Eu era um afinador de silêncios".

Mia Couto

[bateu saudade. sempre adoro tuas cronicas. sempre venho.]