Lágrimas


Quando olhei pra fora da janela, percebi uma cortina fina e silenciosa de chuva. Um choro miudinho escorrendo do véu da noiva – Pensei."Casamento de viúva!" Exclamei quando vi o sol rasgando a cortina de lágrimas. Mas, subitamente, o sol se foi e o choro miúdo se transformou em berros e soluços. "O noivo não compareceu!" disse rindo da frase inesperada.
É sempre assim, chove e eu me encolho, não de medo, mas para observar o seu bailado. Adoro ficar olhando para ela. Imagino-a bailarina.
Bailarina que me hipnotiza, bailarina que me fascina; Carmem e seus amores.
Como era de se esperar, choro exagerado, alívio imediato.
O sol novamente desponta. Seus raios refletidos nas poças criam manchas coloridas, manchas que aos poucos desaparecem; machas surgidas nas poças de lágrimas da noiva

Paulo Francisco

Um comentário:

nelma ladeira disse...

Sim restou só as lágrimas e as manchas no coração desta noiva!
Lindo poema Paulo amei beijinhos.