Pé-de-moleque

Pé-de-moleque. Foi assim que chamei uma mangueira repleta de meninos e meninas uniformizados perto de uma escola.
Lembrei-me, também, de minha infância, quando subíamos nas árvores frutíferas e fazíamos uma farra danada. Ficávamos pulando de galho em galho à procura das frutas mais maduras. Poderia ser uma caramboleira, uma cajamangueira, um jamelão, uma mangueira de carlotinha ou espada. As goiabas e os jambos eram roubados silenciosamente da vizinha rabugenta.
Hoje minhas reuniões não são mais em árvores frutíferas, mas em lugares mais apropriados para homens de minha idade - nos reunimos em bares. A algazarra é quase a mesma, principalmente em dias de futebol. As frutas foram substituídas por cervejas, vinhos e outras etílicas.
Os galhos que são pulados agora, são os empregos, sempre à procura de um mais resistente, que não quebre com tanta facilidade. E as frutas roubadas foram substituídas por cargos de chefia cobiçados.
Quando olho para trás, vejo tantos futuros perdidos, tantos futuros em lápides prematuras.
Quando olho para trás vejo meu futuro se construindo através de livros, castigos e sonhos.
Hoje, não reclamo do pouco que tenho, porque sei que é muito diante de tantos moleques perdidos entre armas e drogas.
Quando olho para a mangueira que mais parece um pé-de-moleque, penso qual deles sobreviverá para relembrar das frutas furtadas.





Paulo Francisco

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