Céu de brigadeiro

Não gosto de surpresas. Hoje, o dia me surpreendeu - ficou chuvoso e esfriou rapidamente. Dias nublados me entristecem. É como se as nuvens, zangadas, não permitissem que o sol chegasse por completo com seus raios quentes. Em dias assim, eu sou o sol escondido.
Não consigo concentrar-me absolutamente em nada em dias acinzentados.
Acredito que seja porque a visibilidade não é total nem para ver o sol e muito menos para namorar a lua. E sem os meus banhos estelares a boêmia fica incompleta. Noite sem um céu anilado coberto por senhoras que brilham é o mesmo que viola sem seresta – fica vazio.
Quem gosta de olhar para nuvens carregadas de íons e prótons?
Quem gosta de luminosidade sem a presença do rei vermelho?
Quem gosta de namorar sem a lua como cúmplice?
Eu não gosto!
Eu gosto de céu azul: se dia, um azul que me lembre roupas de bebê; se noite, quero um céu azul de metileno decorado por constelações perfeitas.
Por isso gosto de seu céu, ele é assim, como descrevi . Ele me embala em canções doces.
No seu céu, eu sonho e desejo – torno-me romântico e engulo estrelas cobertas por açúcar de confeiteiro.
Com o seu céu me cubro por inteiro – me torno pescador de estrelas.




Paulo Francisco

2 comentários:

Milene Lima disse...

Anda assim, cinzento e inoportuno o céu pelas bandas de cá. E o Sol, cadê? Onde se escondeu eu não sei.

Cheira a poesia esse teu texto, de tão lindo.

Beijo.
E que venha o astro vermelho.

nelma ladeira disse...

O céu cinzento trás tristezas,e namorar sem a lua realmente não tem graça.
Agora o azul é lindo!
Adorei seu poema Paulo beijinhos.