Céu

Disseram-me que adoro o céu e que haja infinito azul para minha inspiração. Sim, eu gosto do céu e o azul me traz paz. Mas o meu céu é de várias cores. Às vezes ele se encontra clarinho, tão clarinho e reluzente, que doem os olhos e a alma daquele que fica, por muito tempo, tentando decifrá-lo.

Os meus céus são vários. Em minha infância ele era mais distante, as pipas coloridas sumiam numa imensidão azul. Os pássaros, sempre em bando, fugiam em franco desespero, em cantos anunciados em tempestades, e o que estava a brilhar se apagava.

No meu céu de todas as cores, tem querubins e serafins, instrumentistas cantantes, moleques arteiros e arpistas.

Os amarelados anunciam a chegada do sol, traz consigo o calor que agasalha.

Os avermelhados se despedem como cavalheiros, permitindo que a dama lua ocupe seu lugar no espaço.

Os magentas são os mais felizes – é mistura de dois céus – reluz o que mais importa – o amor em plena ebulição.

É..., o meu céu traveste-se de cores. Cores absolutas. Ele é generoso, abriga a lua, o sol, as estrelas e as musas de minhas poesias; permite, também, que outros evidenciem suas cores.

O meu céu é mágico, transforma o nada em imagens aneladas, permite amores ansiados.

O meu céu também fica zangado, e se revela chumbado. Mas quando tranquilo o azul outonal aparece e transmite esperança. Quando assustado, coitado, esconde-se no pretume de uma coberta.

Quando ele está anilado, bordado por estrelas felizes, acredita-se que está sonhando com um amor distante.

Mas hoje, exatamente hoje, ele se prateia e chora chuva.



Paulo Francisco

3 comentários:

Marly de Bastos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marly de Bastos disse...

Cada céu com seu encanto, com suas lembranças e com seus humores. Sabe eu não gostava do céu ao acaso, pois me trazem lembranças tristes de quando morava na roça e era hora em que minha mãe ficava muito brava: Meninos sem tomar banho, galinhas nos poleiros e os pintinhos piando em baixo sozinhos, porcos querendo a última refeição do dia, o jantar sendo feito no fogão de lenha e tantos afazeres que a deixavam nervosa... Eu nessa hora ia sentar na calçada e ver o sol devagarinho fugir das broncas que ela dava.
Hoje gosto do fim do dia, com o céu avermelhado [aqui em Brasília parece que o céu ta pegando fogo- dizem que o fenômeno se dá pelas partículas de poeira e a altitude...rsrsrsrs]e agora tenho a sensação de dever cumprido em mais um dia.
Beijokas doces meu poeta celeste.

nelma ladeira disse...

O céu é um só,mas dependo do estado emocional da pessoa,ele se torna azul,verde,amarelo,como você descreveu.
Eu tento deixar o meu céu sempre azul,mas gosto quando está amarelo porque aquece a minha alma!
Agora o meu céu ele está sempre rodeado de anjos,anjos da paz,anjos protetores.
Gostei muito do que li aqui!
Belo texto!