Perfume de flor

O vento trouxe um cheiro novo. A porta da sacada estava aberta e o seu quarto foi invadido por um delicado aroma. Era uma mistura de vários cheiros - alguns reconhecíveis, outros não. Ora pétalas de rosas, ora uma fraca alfazema. Jasmim? Lavanda? Almíscar ou Patchouli? - Ele começou a se perguntar, intrigado com tanto cheiro de felicidade.

Junto com os cheiros adocicados, vieram as lembranças. Imagens de uma época quando a fragrância entranhava em sua pele

Adorava ser lambuzado pelas peles macias e aromáticas daquelas com quem jurava amor. A lembrança do cheiro feminino em sua mente era mais forte que as suas próprias imagens.

Maníaco!? Quem poderia dizer? Ele não guardava fotografias, ou nenhum tipo de souvenir de seus antigos amores. Ele preferia ficar com a lembrança do cheiro de cada uma delas. Fotografia envelhece, souvenires se perdem, mas o cheiro, guardado em frascos memoriais, não se perderia nunca.

O quarto cada vez mais invadido pelo frescor dos aromas do passado. E ele, cada vez mais rejuvenescido.

Um nome, uma flor. Uma flor, um cheiro.

E quando seu jardim já estava completo por flores e anjos; por deusas e aromas, ele agradeceu a Deus com um silencioso sorriso pálido e dormiu.

Foi coberto por cravos brancos e amarelos



Paulo Francisco


2 comentários:

Paula Barros disse...

Cada conto mais bonito que o outro. abraço perfumado.

Ivone disse...

Que lindo, um fim assim é gratificante, acordar quem sabe em outro "jardim"!!!
Abraços, amei ler!