¨Se você fosse minha namorada¨

Quando adolescente, ouvia uma determinada música e de imediato me lembrava da namoradinha do momento ou do passado. Acho que os jovens de agora não curtem este negócio de oferecer música para o seu amor.

Na minha juventude, respirávamos música.  Então, nada demais a música fazer parte de uma relação. Será que hoje os jovens respiram música? Acho que não tanto quanto antes.


Dançávamos juntinhos. A cabeça  em rodopios que entorpeciam, enquanto os corpos se aqueciam em lentos movimentos.

A luz negra, camuflando os sedentos pensamentos bons, fazia parte dos bailes de final de semana. Era assim que dançávamos. Hoje já não danço.


Mas permaneço a entorpecer-me e aquecer o meu corpo, ouvindo melodias em baixos decibéis à meia luz do abajur de meu quarto, ou não.


Dancemos em acordes invisíveis. Ouçamos corais de querubins! Mas se você fosse minha namorada, certamente, eu dançaria; dançaríamos nestas noites insones de madrugadas silenciosas, quando a música que nos embala é o desejo telepático. 


Ah, Se você fosse minha namorada!  Ouviríamos orquestras de cordas e sopros. E eu que não sou cantor, arriscaria em seu ouvido uma canção. Uma canção de amor.

Paulo Francisco

3 comentários:

Marli Soares Borges disse...

Linda prosa poética! Prazer em conhecê-lo. Sem música a vida seria um erro, não lembro quem falou isso, mas é exatamente assim. A música é a vida! Bjs

Ivone disse...

Paulo Francisco, meu amigo sempre bem vindo lá no meu recanto, obrigada!
Amei ler aqui, me lembrei do meu amor, meu namorado, único por sinal, casamos e estamos ainda curtindo a vida,não tão intensamente como naquele tempo, mas as lembranças, ah, elas alimentam tudo, adoramos músicas!
Sinto também saudade dos bailes, hoje acho que não dançam mais como antigamente,naquele tempo era puro romantismo!
Abraços!

Paula Barros disse...

Um texto lindo de se viver...e de se sonhar.
beijo