Mudez

As palavras não vêm. Quando muito, eu ficava na janela olhando a calçada em movimento. Era a chuva de verão no final de tarde. Era a chuva atrapalhando as brincadeiras de rua. Era a chuva me convidando a dançar. Hoje, o tempo promete. Há chuva no ar. E quando ela chega, transformo-a em chuva de estrelas; chuva de amor. Deixo-a lá fora salpicando os telhados e calçadas. Enquanto ela persiste, molho-me de beijos, cubro-me de carícias. Abro os braços para o amor. Abraço teu corpo. Enlaço-me a ti.

As palavras não vêm. Sou silêncio; sou refém. Quando há chuva lá fora, transformamo-nos em sóis. Somos luas; somos céus.

Quando a chuva chega, você é mais minha, sou mais teu. Meu silêncio branco se transforma em ondas azuis. Azul de teu mar; azul de teu céu.

Quando as palavras chegam, carregadas pelas chuvas, digo-lhe o que sinto em seu ouvido. Na timidez de minhas palavras falo o que queres ouvir: te amo.
É o que sinto.



Paulo Francisco

2 comentários:

Paula Barros disse...

Valha-me Cristinho, que quando diz te amo, escreve mais lindo ainda.
beijo

nelma ladeira disse...

Nossa que lindo!Você nunca escreveu assim!Esta pessoa deve ser muito feliz,em ouvir você dizendo ao seu ouvido: Te amo!!
Parabéns é realmente lindíssimo.
Te desejo uma linda noite com seu amor...