Cotidiano

Não queria outra coisa a não ser ir pra casa, mas precisamente cair em minha cama, cobrir-me por inteiro e todo encolhido dormir até o corpo levitar. Estava cansado, estava moído.

Fui trabalhar virado, mais que virado, 36 horas sem pregar os olhos. Não, não fui obrigado a ficar acordado,simplesmente o danado do sono não veio. E é sempre assim, quando ele vem, vem mesmo: os olhos queimam, não consigo raciocinar, fico leso, lesadinho, como diz uma amiga, fico na ¨capa do Batmam¨ (acho engraçado esta expressão).

Pois bem, cheguei a minha casa às duas da tarde e não vi nada além de minha cama, caí e dormir o sono dos justos. Dormir até fazer bico.

Acordei quando o dia já tinha dado espaço pra a noite, uma noite típica de outono, céu com estrelas e lua a se transformar em cheia. Fiquei ali olhando o nada, sentindo o vento brincar com as cortinas que bailavam em ¨slow motion¨. Em ¨slow motion¨, estava eu, pensando na vida num espreguiçar felino.

Sabe aqueles dias que não queremos nada além de ficar parado, quieto, sentido cada célula corporal? Como se estivéssemos conhecendo ou reencontrando cada pedacinho de nós? Pois é, fiquei assim, numa preguiça continua, num marasmo necessário.

Mas como diz minha mãe, alegria de pobre dura pouco, o telefone insiste em tocar e eu saio de meu estado letárgico e vou buscá-lo. Atendo e é um amigo convidando-me pra assistir ao jogo no bar do João. Digo não, mas a insistência é tanta que acabo cedendo. Lá vou eu, a pé, assistir ao jogo com os fanáticos futebolísticos.

Sigo tranquilo  o caminho de sempre, observando os passos apressados de uns, as conversas  agitadas de outros, os olhares acanhados de alguns, os corpos magros e gordos que passam. Sigo em passos com asas. Sigo o meu caminho a sonhar. Sigo o meu caminho num transe sonar.

Lá estavam todos, com sorriso na cara e uma cerveja na mão. O churrasco na brasa e o jogo pra começar. Lá estávamos todos assistindo ao jogo, torcendo pro gol que estava pra chegar. Lá estávamos todos, cada qual com o seu cansaço; cada qual com seus sonhos; cada qual com seus problemas, mas que ali, naquele momento, o que importava mesmo era extravasar, gritar gol, discutir a partida no final do jogo. Lá estávamos todos, eles com o jogo e eu com a poesia.



Paulo Francisco

3 comentários:

M. Borges disse...

Verdade, há dias em que tudo que precisamos é ficar no nosso canto, apenas observando e sentindo... Gostei muito desse final "Lá estávamos todos, eles com o jogo e eu com a poesia." maravilhoso!

Forte abraço, Paulo.
eraoutravezamor.blogspot.com

Ivone disse...

Pois é, eu adoro ficar sozinha em meu canto para poder pensar, pensar em tudo, menos em problemas!
Amei ler, a poesia é vencedora em uma pessoa assim como você, adoro ler aqui, a poesia é a que alimenta também a minha vida!
Abraços!

marciagrega disse...

Também adoro ficar sozinha no meu canto...aliás eu preciso disto!

ia 25 de dezembro é o aniversário de Jesus, um menino que nasceu para trazer muita luz e esperança para toda a humanidade. Desde que chegou a terra foi perseguido e julgado por muitos, mas também foi muito amado e compreendido por alguns, principalmente por Maria Santíssima, sua mãe, que depois de sua morte tornou-se nossa mãe também. Nesta data tão importante eu peço ao menino Jesus que traga suas bênçãos sobre nós e ilumine nossos caminhos com a sua Luz Celestial. Assim seja!
Feliz Natal e Uma Ano Novo cheio de paz e muitas realizações!