Não venha onde estou






A maioria dos meus amigos não consegue ficar sozinho. E como eu sou um eremita nato, mas não um homem das cavernas, eu sofro com seus apelos:

- Quando você vem aqui em casa?

- Não, não acredito que você vai me deixar almoçar sozinha em pleno domingo?

- Ah, vamos até São Paulo neste fim de semana?

- Já reservei hotel pra nós dois em BH...

- Olha tem uma exposição maravilhosa no Rio, vamos?!

- Sabe aquele almoço de sexta? Transferimos para um jantarzinho... Você vem, né?

- Posso ficar aí com você?

- Estou dando uma passadinha em Terê e pensei em ficar aí com você? Eu posso né?

-  O que você estava fazendo? Liguei várias vezes e você não atendeu.

- Menino, eu não sei como você consegue ficar ilhado por tanto tempo.

- Procurei por você até no Bar do João. Fiquei preocupada. Está namorando?

- Só não fui até aí porque sei que você só atende a campainha quando quer.

Consigo ficar por aqui e esquecer-me do mundo.  Claro que eu gosto de receber amigos, fazer uma reunião de quando em vez, ou visitá-los em dias frios.

Não quer me encontrar?! Então não vá ao teatro, não vá ao cinema, não vá à livraria, não vá ao show da semana, não vá ao bar do João. Ou simplesmente não visite o Parque Nacional em dias de Sol.

Talvez, a maioria dos meus amigos não consegue ficar sozinho, ou simplesmente se incomoda, erroneamente, com o fato de eu parecer um eremita.

Quem disse que o homem consegue viver sem companhia?  Pelo menos, eu não consigo. Não mesmo. As minhas paredes sabem disso.

Não venha onde estou porque estou morrendo de amor.


Paulo Francisco





5 comentários:

Ivone disse...

Que maravilha poder ser livre, estar com alguém, estar só, a sós, não importa, estar consigo mesmo é que é bom, assim tens companhia de montão, podes escolher, amar, amar e amar!!!
Amei ler!
Abraços!

Paula Barros disse...

Então, eu nem vou dizer que estava pensando em lhe visitar. kkkk

abraço

Regina Bolico disse...

Olá Paulo
Vim te agradecer pela visita ao meu Ambiente de Luz, e também comentar o teu texto. Se a gente está bem a gente não sente solidão, ou pode se sentir muito solitária cercada de pessoas. Eu adoro ficar no meu canto, acho um tédio quando tenho que sair e fico contando a horas para voltar para casa de uma vez. Se eu tivesse um sítio seria melhor ainda, ia querer me isolar e curtir a natureza e os meus bichinhos.
Um abração!!!

nelma ladeira disse...

Oi Paulo.
Lindo seu texto,cheio de amor.
Eu também não gosto muito de saí.
Claro que as vezes é bom saí um pouquinho,mas adoro a minha casa.
Não sou uma eremita!Mas adoro ficar sozinha com os meus pensamentos.
Principalmente quando estou morrendo de amor...
Beijinhos.

teca disse...

Acompanhado consigo mesmo... muito bom!

Beijos.