Revés






Acordei e não estava em minha casa. Meu joelho direito doía, minha canela esquerda ardia. Sangue escorria perna abaixo. Meu ombro doía. Não era transparente a caixa em que dormia, não havia flores dentro dela. Havia terra em minha cara, minha boca doía. O ar não chegava com facilidade aos meus pulmões.
Levantei e tentei chegar do outro lado da rua. Era noite. Era madrugada. Estava frio e meu corpo ardia. Não conseguia me movimentar com a rapidez que desejava. A dor puxava meu corpo para baixo.
Sentei-me no degrau da escadaria. Urrei de dor, mas, ninguém me ouvia. Contraí todo o meu corpo sujo e manchado. Fechei os olhos e me esqueci do mundo.
Acordei aliviado.  Ainda me encontrava vivo. Andei lento e desesperadamente até o outro lado da cidade. Trôpego, tudo era grande e distante.  Não tinha tempo pra chorar, não tinha tempo pra lamentar. Queria chegar há algum lugar conhecido. A dor voltou, o ardor voltou, o desespero tomava conta de minha alma.
O céu estava negro. As ruas estavam escuras. Uma nuvem acinzentada distorcia a minha visão. Ninguém me lia.
Meus olhos inchados pediam socorro, minhas pernas pediam amparo. Ninguém me via.
Não era mais um sonho. Eu estava acordado e perdido. Zonzo, minha cabeça pesava. Era real a dor existente. Era real o sangue esvaído. Era real o sangue cuspido.
Sentei-me no banco de madeira. A caixa não era uma caixa. Era um caixão. Lembrei-me de algumas passagens anteriores ao fato ocorrido: Eu estava preso por um cordão, as flores não eram flores - eram folhas secas e quebradiças. Eu saíra de um caixão de madeira. Ainda sonhava – já não sabia.
Abri os olhos e me vi dentro de um táxi. Seguia para a minha casa. Meu corpo sofria. Procurei a chave, abri o portão, subi a escada em passos paralíticos. Engatinhei, rastejei até o meu quarto.
Urrei de dor. Desmaiei, talvez.
Acordei e percebi que estava caído no piso gelado do banheiro. Minha cabeça pesava, meu corpo pesava, minhas pernas ardiam.
Acordei e descobri que já era dia, o céu estava azul e o sol me invadia.
Acordei e descobri que tinha sido acidentado. Mas, não me lembrava em que dia.
Agora estou aqui deitado, tentando separar o delírio da realidade.
A única certeza, de tudo isso, é que tenho minhas pernas feridas, dor pelo corpo inteiro e, que acordei pra mais um dia de atropelos.


Paulo Francisco

3 comentários:

lis disse...

Nem sempre consigo separar a ficção da realidade rs,
hoje especialmente quero muito separar e desejar que tudo não passa de mais uma crônica dessa cabecinha sonhadora do Paulo Francisco,
vamos lá me acalme ! rs
Um feliz Natal meu lindo!

Evanir disse...


Que Deus abençoe seu Natal
seja uma noite linda junto dos seus familiares,
pois é uma noite muito especial.
Que as estrelas dos céus brilhe sobre
todos nós.
Obrigada por ter convivido
comigo mais um ano ,
que você contiue sendo
anjo bom na minha vida.
Um abraço e meu carinho.
Um Feliz Natal para você e sua preciosa
família.
Que o amor de Deus
esteja em nossos corações sempre.
Carinhosamente, Evanir.

nelma ladeira disse...

Você sofreu um acidente?
Ou é só uma crônica? Se for você tem uma imaginação que vai longe...
Será que você pode me responder?
Por favor.Nós somos amigos virtuais mas somos pessoas,somos reais.
Beijinhos.