Estacionando











Outono. Não temos árvores peladas nesta estação e tampouco tapetes de folhas amarelas e quebradiças. O nosso outono não fica pálido – se mantém verde. Só sabemos que estamos nele, porque temos as visitas do verão não querendo ir embora e do inverno marcando território. Esta indecisão é sinônimo do outono. Ele não é constante, marcante, como em outros lugares; podemos chamá-lo de estação hiperativa - levada mesmo.
As noites outonais são de céu anilado e rendado por estrelas volúveis. A manhã, sempre uma surpresa, ora nublada, ora ensolarada – não tente adivinhá-la.
Nunca se sabe como será o dia, então, o melhor é ter sempre um abrigo na bolsa, para aqueles dias de indecisões: sol e chuva.
O sol pode ser de extremo verão ou simplesmente brando, agradável. As chuvas já não são mais em monções e, sim, numa cortina repentina quase invernal.
As sombras são convidativas e refrescantes, principalmente ao meio dia ensolarado.
O nosso outono é quente, latino. Tem flores, frutos e sementes.
Se eu tivesse que comparar a minha vida com uma estação, certamente, seria o outono.



Paulo Francisco




4 comentários:

Milene Lima disse...

Você fez um retrato muito bonito do outono... Um retrato bonito de si mesmo, então, já que ambos tem o mesmo jeito de ser e caminhar pelo tempo.

Abraços.

✿ chica disse...

Outono lindo aqui e a foto maravilhosa também! abração,chica

Ivone disse...

Amigo Francisco, que lindo seu parecer outonal, também o sinto assim, viver em "Estacionamento" outonal é a melhor coisa da Vida, sempre amo as inconstâncias, acredito até que nos "sacode" para a Vida, pois viver é maravilhoso exatamente por isso!
Seu poema/texto está lindo demais, amei ler e já estava com saudade de te ler!
Abraços!

Maria Luana disse...

Boa noite,faz bastante tempo que você não escreve.
Lindíssimo texto!Mas deve ser horrível ser uma pessoa inconstante!Assim como o outono.
Beijos.