Territorial


Acordei e fui logo pro sol lagartear. Fiquei ali por pelo menos uma hora, lendo e absorvendo o sol de uma manhã de inverno. Se o inverno acorda com o sol e, se neste dia eu posso curti-lo, transmuto-me em réptil. Sento-me num banco de praça ou deito na grama e me aqueço em leituras.

Hoje moro na serra de Teresópolis. Troquei o mar pela montanha; o calor pelo clima ameno; a neurose pela tranquilidade. Posso dizer que o meu calmante é o meu lar. Aqui me sinto soberano. Faço o que quero e quando eu quero. As regras (quase nenhuma) criadas por mim podem ser quebradas a qualquer momento – não tenho sindico para me multar e nem vizinho para me dedurar. Sou livre em meu espaço. Minha casa, minha oca.

Aqui recebo quem eu quero e quando há invasão, é invasão permitida. Permito turismo com bilhete de chegada e partida. Nada de green card; nada de território livre; nada de fronteiras abertas. Minha casa, meu Estado.

Mercorsul! Só em beijinhos e carícias.

Preservo minha natureza com pequenas ementas, passíveis de uma redação maior.

Confesso que nada é pra sempre. Posso mudar minhas regras a qualquer momento. Sou livre pra isso. Vantagem adquirida. Mesmo que pra isto transforme meu território em Faixa de gaza. Aqui tenho o livre arbítrio.

Afinal, Paraíso só o bairro em que moro.

Mas, por enquanto, vou lagarteando em gramas e redes, só absorvendo, só anotando, só adquirindo energia e conhecimento.


Paulo Francisco



(Ainda sem conexão)

5 comentários:

✿ chica disse...

Que delícia assim morar.Um paraíso! Bom acordar e ir lagartear,rs abraço,chica

✿ chica disse...

Que delícia assim morar.Um paraíso! Bom acordar e ir lagartear,rs abraço,chica

Vanessa Palombo disse...

Oi Paulo,

A liberdade nao tem preço...

Abçs

Nelma Ladeira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nelma Ladeira disse...

Bom dia Paulo. Adorei o texto! Eu sempre penso em fazer o que você fez...Trocar o mar pela tranquilidade, pela paz. E como você descreveu; Nós temos livre árbitro. Parabéns perfeito! Beijinhos.