Você pediu e aqui está: um texto. O começo de algo que, sinceramente, não sei no que vai dar. Pensei em escrever sobre esse domingo triste sem sol. Mas quando olhei a data, percebi que mesmo com toda a luminosidade solar, ele seria triste ainda assim – É aniversário de quem partiu. Geralmente, não guardo datas. Sou péssimo em medir o tempo. A exatidão não é uma qualidade que eu possa gabar-me. Principalmente quando escrevo. O cinza fica mais cinza; o azul pode desbotar-se como um passo de mágica, ou transformar-se no mais celeste já visto.
Confesso que escrever sem uma
direção, sem um mote, é como ziguezaguear, sem fôlego, numa pista de
quatrocentos metros. Será que chego; ainda que em último lugar? Agora, estou a
me perguntar porque estou aqui, nesta tela luminosa, querendo escrever algo
coerente e bonito para deixar-te mais colorida e brilhante.
O domingo daqui a pouco irá
embora. A segunda chegará com mais uma aniversariante.
Lá fora, a cerração cobre a rua,
esconde as árvores e molha os telhados das casas de meus vizinhos. O céu nos
deixa órfãos lunar - esconde a nossa lua gibosa que daqui a pouco estará cheia,
inteira. Nós a veremos logo num eclipse lunar?
Já é segunda. Manhã fria, sem promessa de dia quente. Mas
pouco importa. Meu compromisso hoje é terminar o texto e ir à clínica no começo
da tarde para um exame médico de rotina.
Acordei bem. Uma caneca de café
quentinho tem a função de preparar-me para encarar o dia.
Um dia desses Irene me confessou
que dormiu até ao meio dia. Ri, porque percebi seu constrangimento. Disse a
ela: - Que nada! É muito bom acordar
sabendo que o corpo e a mente estão revitalizados. Dormir faz bem. Ultimamente
estou dormindo pouco – carência de vitamina D e B12.
Pois é... passei por maus
bocados. Um combo de consequências graves por carência dessas vitaminas. Antes
de saber o real motivo de tanta brabeza deixei alguns amigos preocupados.
Hoje, já estou dormindo um
pouquinho mais, respirando um pouco melhor; as dormências e câimbras sumiram e
o meu humor está voltando ao normal. Semana passada, ri muito com Irene. Aliás,
com Irene é só coisa boa – a sinceridade é primordial. Conseguimos rir até dos
nossos perrengues. Um dia desses, comentei com alguém, não me lembro quem, uma
façanha de Irene lá em Ouro Preto, quando um guri meteu a mão na sua câmera
fotográfica e saiu correndo dentro da Igreja. Ela, a Irene, numa fração de
segundo, pensou e gritou para o moleque: - Pare!! Eu compro a máquina de volta!
O moleque parou, olhou para trás e resolveu ir até ela. Entregou a máquina na
esperança de ganhar um dinheirinho. E ganhou. Quando perguntei o porquê de tal
atitude, ela me disse: “A máquina tudo bem, mas as imagens eram únicas.” Coisas
de Irene! Em setembro estará em São Paulo. Tem exposição de Miró.
Vou parar por aqui, senão
começarei a escrever coisas de outros amigos.
