A moça da janela



A janela estava sempre escancarada, nunca fechara. Mesmo em grandes tempestades, sempre deixara uma fresta. Jamais a trancaria por completo.
A certeza da entrada de seu príncipe – mais que perfeito – pela abertura, fazia com que tomasse o cuidado em não fechá-la nunca.
Enquanto o príncipe não surge, os verdes sapos vão se aventurando em pular para dentro do quarto da sonhadora. Depois de um tempinho, ela, sempre, os expulsava.
Numa certa noite, entra em seu quarto, o que pensara ser seu príncipe e, mais que depressa, fecha sua janela, prendendo-o para sempre.
Mas depois de algum tempo, pela ironia do destino, descobrira que se enganara, aquele não era o seu Encantado tão esperado. Era, simplesmente, o mensageiro daquele, que por tanto tempo, sonhara.
Com a janela trancada, não tinha como mandá-lo embora, pois prendera para sempre o equívoco em seu aposento. A sua única alternativa era mandar o pseudopríncipe sair pela porta da frente e, assim o fez, mesmo sabendo do risco em ficar sozinha, para sempre.
Agora, a moça fica olhando pela vidraça, rezando, para que alguém a quebre com uma pedra. E tanto faz, se será um príncipe ou um sapo o seu bem feitor.



Paulo Francisco

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