Depois de um pé-d´água, corríamos para ver o rio bufando de cheio. Ficávamos debruçados no guarda-corpo da ponte, apontando admirados com o que aparecia naquela água turva. Surgia de tudo: pneus velhos, galhos e troncos de árvores, móveis quebrados, sacolas de lixos e vários outros objetos. A molecada se divertia com qualquer coisa. Nada pescável. Tudo que se via era para se admirar com espanto ou não. Gostoso era estar lá. Unidos, rindo numa algazarra em decibéis acima do suportável - coisa de gente inocente.
Quantos rios passaram em minha vida! Cada qual com sua
particularidade. Uns navegáveis, outros impossíveis. Uns para serem
acariciados, outros respeitados. Uns pedindo sombras, outros camuflados.
Os meus rios, até agora, não chegaram a ser a Ribeira do
Pessoa, muito menos o seu Tejo; os meus rios, pairam em mim, num ciúme Veloso
de arrepiar.
Os meus rios não são o Amazonas, o Paraná, o Madeira, o
Purus, o São Francisco, o Tocantins ou o Araguaia. Os meus rios são outros, tão
importantes quanto ,porque neles eu sonhei e naveguei em poesias, prosas e até pesquei.
Hoje, toda vez que há um temporal, não corro para a ponte de
um rio. Sigo para o meu quarto, onde me debruço em pensamentos e pedidos que só
Ele pode me atender.
Na minha infância também havia um rio que chamávamos de valão e lá íamos pescar um peixinhos, mas os soltávamos logo depois. E uma família que morava perto tinha como referência a "ponte", pois chamávamos o patriarca de Seu Jorge da ponte. Um ano novo bem promissor para você, pois as previsões são animadoras, semelhantes as do meu signo.Busque-as para se entusiarmar.
ResponderExcluirInfelizmente, às crianças não curtem o que nós fazíamos quando pequenos,
ResponderExcluirHoje é só Internet, eu subia em árvores, adorava jogar bola, tomar banho de chuva era meu divertimento preferido.
Sobre o seu rio; quem sabe você consiga encontrá-lo e da continuidade ao seus poemas. Adorei o texto, fez-me lembrar quando eu era criança.
Boa tarde Paulo.