Amigos

Caminhava totalmente absorto, de repente me deparei com um sorriso amigo. Recuperado do susto, gargalhamos como dois moleques arteiros.
A principio, conversamos amenidades, os nossos olhares não permitiam conversas duras. Já não nos víamos há mais de ano.
O sol debruçado sobre as montanhas e nós debruçados em cervejas e conversas.
Não estávamos mais sozinhos, nossas lembranças nos acompanhavam e a cada uma delas revelada, retirávamos um do outro pedaços de epiderme encourada pelo tempo.
Desnudamo-nos sem a vergonha do macho. Éramos, ali, seres frágeis compartilhando dor; éramos seres-crianças compartilhando felicidade.
A lua já a pino anunciava a metade da noite.
Hora da despedida, hora de revelarmos o quanto valeu a pena aquele encontro. Um abraço e um sorriso; outro abraço e a promessa de outros encontros.
Ele seguiu como surgiu – de repente.
Eu voltei a caminhar madrugada adentro absorto e leve.
Percebi que a amizade nunca acaba. Amigo a gente não escolhe. Amizade é uma coisa natural, sem genética, sem padrão. Basta alma.
Hoje, faz um ano, o nosso último encontro.



Paulo Francisco


Um comentário:

Zilani Célia disse...

OI PAULO!
UM REENCONTRO, CONVERSAS, RECORDAÇÕES, RISADAS, MAS APÓS, CADA UM PARA SEU LADO, MEIO MELANCÓLICO.
SE FOI TÃO BOM , DEVERIA SE REPETIR,
TOMARA QUE ACONTEÇA.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/