Observador de estrelas

Sempre gostei de olhar para o céu. Faço isto até hoje. Não tem um dia que não olhe para ele e procure uma estrela ou se a lua está a observar-me.

Quando menino, o céu era tão maior, tão mais azul. Mas eu era menino, acreditava que podia ser astronauta, ou um guerreiro que surge entre nuvens e relâmpagos.

Hoje, eu ainda olho para o céu, procurando a estrela mais brilhante, converso com a lua – e como converso com ela!. Sei que posso ser astronauta em versos e prosas; sei que posso ser o guerreiro que quiser; e sei, também, que nem todos os céus são para serem tocados ou admirados.

Quando menino eu queria agarrar uma estrela, sair correndo atrás de uma estrela cadente e guardá-la em minha sacola. Quando via uma, cerrava os meus olhos fortemente e encolhia os ombros, na esperança que daquele jeito todo encolhido, os meus desejos chegassem até ela mais rápido. Sempre desejava a mesma coisa: que um dia ela caísse em minhas mãos.

Cresci e nenhuma estrela cadente chegou perto de mim, todas caíram no mar. Eu, morador de montanhas, fico no mais alto ponto, todo encolhido e de olhos bem abertos, olhando a planície lá longe e o céu. E quando vejo uma estrela cadente, não mais faço pedidos, simplesmente a admiro e sigo o seu percurso em direção ao infinito.

Mas confesso que às vezes gostaria de ser novamente aquele moleque sonhador e sair voando como um guerreiro invencível atrás da minha estrela cadente.

Ainda hoje eu vi uma estrela.

Paulo Francisco

2 comentários:

Van disse...

Oi Paulo

Acho que você ainda é aquele moleque sonhador, apenas, hoje já sabe que nunca poderá pegar uma estrela cadente e colocar na sacola, mas ainda pode vê-las cair. Enquanto muitos já perderam a capacidade de ver estrelas.

Beijos

nelma ladeira disse...

Eu sempre quis ver uma estrela cadente,mas nunca consegui.
Gostaria de poder fazer meu pedido,porque eu acredito que tudo é possível!!
Amei beijinhos.