Quando o ar se torna rarefeito, a angústia chega lenta e silenciosa. O desespero toma conta e a racionalidade é pulverizada num instante. É trágico, é assustador. Na psicologia é chamada de crise comum e que passa com o tempo. Pois é... Enquanto não passa, o ar pode faltar a qualquer momento e o pânico toma conta.
Valéria, minha irmã de alma, disse que é o cérebro sabotando
e que na hora do pânico, o melhor é tenta usar operações de matemáticas simples,
como contar números na ordem decrescente ou fazer contas de cabeça, pois ajuda
a mente focar novamente.
Irene, amiga do coração, empresta seu ombro, sua orelha e
seu tempo. Disposta a socorrer-me a qualquer momento.
Márcia Cristina e Paulo Henrique, meus compadres, não largam
a minha mão nunca.
Claudia, mesmo morando em Barra de São João, não se esquece
de mim. Aliás vou visita-la a qualquer momento.
Alexandre Mello, Ronaldo, Thiago Vinicius, Liane, Gutierre,
Maria Luíza, Verônica, Valdir estão sempre procurando saber de mim.
Hoje, descendo a rua para ir trabalhar, acabei me
estabacando na calçada úmida pela neblina da madrugada. O tombo foi tão
estranho que quando me vi no chão, todo torto, achei que tinha me quebrado
todinho. Demorei alguns minutos para me
levantar. Senti-me o boneco Falcon – aquele todo articulado. Depois de muitos
palavrões por causa da dor, tentei me levantar. Assim que levantei, o Mello
chegou e Ronaldo já saiu do carro para me acudir. Sempre eles.
No trabalho, todos querendo saber o que tinha acontecido.
Estava (ainda estou) mancando.
Quando estava saindo do trabalho, Victor – um debochado nato
– falou:
- Paulo, não chega perto. Não tem ninguém mais azarado que
você.
Rindo, já pegando minhas coisas para guardar no meu armário,
pensei: Como posso ser azarado com tanta gente querida ao meu redor.
Impossível, Victor! Impossível...
Como é bom ter gente boa ao nosso redor!
Querido, vou lhe "salvar" sempre que puder, e vc precisar!!
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