Banquete

Alimento-me de poemas. Não como uma refeição completa, mas como complemento alimentar. Tenho-os em minhas refeições diárias como o tempero necessário para garantir o sabor do meu dia.
Preciso do poema como o sol do dia, como a lua da noite. Necessito deles em meu corpo por dentro, navegando em minhas veias e artérias, atingindo todas as células de meu corpo.
Que seja Camões, Leminski ou Sant´anna - não importa de quem seja, desde que seja um poema bom, bom para o meu viver.
Respiro Neruda, Oswald, Drummond, Gullar, Vinicius. Preciso hidratar meu corpo com os sais encontrados nos versos de Cora, Cecília e Florbela.
Sim, alimento-me de versos construídos, trituro-os com os meus molares, e enzimas encontrados à minha saliva, degrado-os, amasso-os, degusto-os, transformo-os num bolo poético e degluto-os lenta e suavemente, sinto-os invadindo minhas entranhas, chegando como manto e cobrindo minha alma.
Alimento-me de poemas, sinto-os na ponta de minha língua.
[E quando estou te amando, te faço poesia.]


Paulo Francisco



2 comentários:

nelma ladeira disse...

Realmente você hoje está muito romântico!!
Amei Paulo!Beijinhos.

Paula Barros disse...

E que a poesia possa te alimentar, energizar,embriagar, deliciar. entusiasmar, extasiar, encantar....tomar todo o teu corpo, mente, alma...e assim eu me sentirei ao ler-te.


Lindo! beijo